
Bom, lá vou eu de novo, lá vou eu abordar esse assunto que tanto dá o que falar, as certezas. Parece estranho falar tanto nisso, mas, bom, é apenas mais uma reflexão como outros textos que já coloquei aqui. Desde já deixo claro que não faço aqui ataques a religião alguma, por isso não cito nomes, apenas escrevo sobre limitações que todos temos e que as vezes não nos damos conta, inclusive quanto a religião. Por que não?
Apenas acho que todos são livres pra acreditar no que quiserem.
Vemos o mundo como este nos é apresentado, isso todos sabem, ou pelo menos deveriam saber. Tomar consciência disso, ao meu ver é o primeiro e principal passo para que possamos nos libertar, nos livrar dos limites que nos são impostos.
Sofia estava sentada a frente de sua casa, apenas observando a circulação das pessoas, as crianças brincando enfim, pessoas levando a vida como sempre. Sofia há algum tempo já vinha se fazendo certas perguntas, questionando, já não aceitava o que lhe diziam apenas por que diziam que era certo, procurava uma maneira particular de pensar, procurava ser livre onde ninguém deveria deixar-se prende, na mente, no modo de ver as coisas e pensar.
Sofia via que, a vaidade em demasia, no sentido de sempre querer ser superior aos demais seres, nos fazia pequenos, cegos e , em vida, mortos.Era uma ótima observadora e e adorava desafios, principalmente no campo das idéias. Eis que um dia, nesse em que Sofia observava outras pessoas, surge alguém cujas ídéias queria lhe apresentar.
_Boa tarde, poso falar com você?
_Claro(responde Sofia)
_Venho hoje lhe falar sobre Nosso único e todo poderoso Senhor e criador.
Como não deixava nada escapar e não tinha receio de perguntar Sofia esperou que a outra moça terminasse de falar para lhe fazer algumas perguntas.
_ Como assim único?
_ Bom é o que na verdade há, um único Senhor do universo e criador de tudo.
_Mas como você sabe que é único, afinal existem diversas religiões não?
_Sim, mas nenhuma é verdadeira, já que só existe uma única verdade.
_ E qual é? perguntou Sofia, curiosa.
_ Esta que lhe apresento, a de um único Criador, onipresente, onipotente e onisciênte.
Isso foi uma dádiva para Sofia, pois levou-a a fazer o que mais gostava, pensar, questionar, tentar achar rotas alternativas.
_Como você pode ter tanta certeza de tudo que fala?
_Ora, tenho certeza pois foi isso que me ensinaram, tudo que falam está nas sagradas escrituras cuja minha cresça se baseia.
_Mas, se você diz que só há uma verdade, como pode ter certeza de essa única verdade é justamente essa que você defende?
_Você por acaso é alguma dessas pessoas descrentes e que são contra tudo que as religiões ensinam?
Sofia preferiu não bater de frente pois queria que a conversa se prolongasse, então resolveu aguçar a inteligência da moça despertando sua vaidade com elogios.
_Não de forma alguma. Apenas penso diferente. Ouça, admiro sua capacidade de acreditar, e tendo tanta informação sobre o assunto você não deve ser alguém ingenuo.
A moça então resolveu continuar.
_Bom na verdade tudo depende da fé.
_Gostei, mas o que me diz quanto a sua declaração sobre as outras religiões serem falsas então?
_Digo isso por que os Deuses delas são falsos.
Sofia ficou inquieta, como poderia alguém ser tão preso a uma idéia? Resolveu então ver até onde ia a certeza da moça que com ela conversava, fazendo algumas outras perguntas.
_ Você tem certeza de que só existe um Criador?
_ Sim , absoluta.
_Sua cresça é a melhor?
_ Com certeza.
_ E esse criador, existe mesmo?
_ Claro, mas que pergunta!
Era o que Sofia queria.
_ Bom, nessa caso você não se incomodaria se eu fizesse mais perguntas certo? afinal você está certa.
_Pode fazer, fique a vontade. Disse com tom presunçoso.
_Você acredita mesmo em tudo que diz ou simplesmente repete o que lhe é dito desde é pequena?
Depois de ter parado um pouco pra pensar a moça responde.
_Claro que acredito
_ Já tentou pensar de modo diferente?
_ Não.
_Então como pode saber se acredita de verdade ou se só pensa assim, por ter tido apenas essa maneira de pensar apresentada a você?
_...
A moça não soube o que responder, não por que não acreditasse de verdade e sim por nunca ter sido questionada dessa maneira, seguindo esse raciocínio.
_Pense da seguinte forma. Será que teria tantas certezas se o número de opções fosse maior?
_ Creio que...não sei, nunca tinha parado pra pensar.
_ E esse Criador todo poderoso, será que você acreditaria nele mesmo se ninguém o tivesse apresentado a você?se fosse tão poderoso se faria perceber sozinho, sem precisar de intermediários ou não?
_Nunca tive de responder a perguntas assim, não sei o que dizer, preciso de tempo pra organizar as idéias, estava acostumada a uma maneira de pensar e ver as coisas, e agora, não consigo responder direito.
_Era sobre isso minha próxima pergunta. Percebeu que entes você respondia a tudo quase que instantaneamente, como se tivesse uma resposta já pronta? Bastou eu fazer algumas perguntas pra toda a sua certeza desaparecer e ficar apenas as dúvidas. Sugiro aproveitar as dúvidas e repensar seu modo de ver as coisas, não se limitar tanto.
_Mas por que você me fez todas essas perguntas?
_ Não pense que tenho uma cresça e que acho superior a sua, não é isso, penso apenas que vemos o mundo como eles nos é apresentado, e nem sempre somos livres para aprecia-lo como o sentimos. Fiz todas essas perguntas por que gosto de questionar, não gosto de me prender a uma única idéia, acho que a verdade está muito longe do alcance do homem ainda.
_Nunca pude questionar sobre o que me ensinaram, diziam que era assim e pronto.
_Isso por que eles talvez não soubessem ou não quisessem ser questionados por ter medo de não saber responder.
_Mas e se eu passar a não ter mais certeza de nada?
_Bom, minha maneira de pensar serve bem a mim, mas sem ter essas certezas você não será mais limitada e por conseguinte, poderá ser livre com relação a seus pensamentos.Apenas questione, não aceite cru tudo que lhe dão, modifique, filtre, observe e absorva apenas o que lhe interessa.
Após a conversa a moça se despediu e foi embora, ainda pensando no que conversara com Sofia, esta também ficou a pensar no que havia dito e ouvido e mais uma vez se questionava, tentando achar mais alguma limitação, agora em si mesma, afim de mais uma idéia a ser trabalhada.
Rodrigo